filho pródigo
segunda-feira, 25 de setembro de 2006
Sou filho pródigo
Vim de longe
Não tive escolha, não tive sonhos…
Sem liberdade pra dizer: não
Oooooooobbbbbbbaaaaaaaaoooooooooooo
Rerererere!!!!ooooooooooo ubaaaaaaiiiiiii
Já raio no porão dos amontoados
Cheiro da terra vem de longe
No coração a saudade e tristeza da minha terra
Na alma uma força de lutar
Em terra selvagem corpo despedaçado
Nas estrelas peço liberdade a ogum
Ser vencedor, crer além do sol.
Criar asas em união
E sentir o que perdi lá longe
Gingar meus pés ao alto
Escutar os tambores pela savana
Voltar pelo mar ao inicio da vida
Sair das correntes que prendem minhas pernas
Não mais sentir o estalar na pele sangrando
Não mais ver o tronco
Fugir e fugir…,Gritando liberdade…Liberdade…
Tantos anos já vividos em sonos de chão
Comendo o resto dos patrões
Fiz filhos sem liberdade
Tenho netos que nunca vi
Sou preto velho
Mas não deixei de sonhar
Conto aos nascidos que era rei depois do mar
Que corria sem medo, Que dormia sem dor.
Sou filho de longe, o primeiro de muitos.
Vou pra ogum
Não estou na minha terra
Mas fiz dessa terra meu futuro
Plantei, sofri e sangrei.
Deixo filhos, deixo neto, deixo bisnetos…
Deixo o sangue que nunca vi
Abandono o solo de lamentos
Mas deixo minha herança: Meu sangue…
Na terra e na raça que fiz e que virá…
Sou filho de longe ,mas virei filho daqui : BRASIL
Autor: Daya
24/09/2005

